MP-GO pede que conselheiro condenado na Justiça seja exonerado do TCE

O Ministério Público Estadual (MP-GO) propôs ação civil pública pedindo a nulidade do decreto que nomeou o conselheiro Kennedy Trindade para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). De acordo com a matéria, de autoria da promotora de Justiça Villis Marra, Trindade foi condenado por improbidade administrativa e a manutenção dele no cargo é inconstitucional.
O conselheiro foi condenado pela Justiça Federal, em 1996, Trindade dispensou indevidamente licitação para a construção da Casa de Prisão Provisória, do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, além do Presídio Regional de Goiânia. Em 2010, ele foi condenado pela Justiça Federal.
Na época, o conselheiro era presidente do já extinto Consórcio Rodoviário Intermunicipal (Crisa), responsável pelas obras no estado. Segundo o MP, o Governo Estadual havia licitado a obra do presídio regional com a construtora vencedora em R$ 8 milhões.
Porém, o contrato foi alterado e incluído nele a construtora Fuad Rassi, também processada assim como o conselheiro. O custo final foi de aproximadamente R$ 50 milhões e a obra chegou a ser iniciada, mas nunca foi concluída.
Quando foi condenado, Trindade já tinha sido deputado estadual e era diretor da Assembleia Legislativa. Mesmo diante do problema, foi indicado pelos deputados, em novembro de 2011, para o conselho do TCE. A escolha foi aprovada por Alcides Rodrigues, governador de Goiás à época, que assinou o decreto da nomeação.
Experiência
Além disso, conforme explica Villis Marra, o conselheiro não tem a experiência necessária exigida por lei para assumir a função. Segundo a Constituição Estadual, os nomeados devem apresentar idoneidade moral e reputação ilibada, ou seja, ter a ficha limpa.
Além disso, é preciso ter notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública, com experiência de pelo menos dez anos. "Não há nenhum documento que comprove que o conselheiro, durante dez anos, como é exigido, ocupou ou exerceu cargo na área de administração", revelou a promotora.
Para a Villis Marra, é inadmissível que alguém que teve problemas por causa de mau uso do dinheiro público, ocupe um cargo na côrte que é responsável por analisar e julgar as contas da administração estadual.
“O cargo exige, como conselheiro, a fiscalização das contas do estado. É uma contradição muito grande uma pessoa que não observa ou não observou a lei ser nomeada para um cargo que exige que ele fiscalize a aplicação da lei”, complementa.
O conselheiro Kennedy Trindade, o ex-governador de Goiás, Alcides Rodrigues e a construtora Fuad Rassi não foram encontrados para comentar o caso.

Fonte: G1