Empresários querem fim do Tribunal de Contas paulistano

A extinção do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) é uma das propostas de empresários ligados ao Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) que consta de manifesto que começa a ser divulgado. A iniciativa encorpa ações da sociedade civil que questionam a existência do TCM-SP e os critérios para escolha de seus conselheiros.

"O TCM-SP poderia ser extinto porque não tem serventia. Não previne, nem fiscaliza, não tem eficiência. É um depósito de apadrinhados vindos da Câmara. Custa muito caro ao munícipe e o resultado é insignificante", diz a gerente executiva do PNBE, Soraia Patrícia da Silva Morais.
O PNBE reúne aproximadamente 200 empresários, com forte presença em serviços.

No dia 30 de dezembro, o TCM-SP abrirá uma vaga, com a aposentadoria do conselheiro Eurípedes Sales, que faz 70 anos.

"Amanhã vamos nos reunir com outras entidades para abrir a discussão em torno dos critérios necessários para os próximos conselheiros", diz George Winnik, integrante da Rede Nossa São Paulo. No encontro também estarão, entre outros, representantes do Instituto Ethos, Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) e associações de servidores de tribunais.

A agenda do grupo inclui encontros com a Câmara Municipal, além de membros do Conselho da Cidade e conselheiros do TCM-SP.

"Mais importante do que defender ou não a extinção do tribunal, é que a sociedade se aproprie deste colegiado, através do acesso às informações e da educação sobre os gastos públicos", diz Winnik.

Máfia

A descoberta da máfia do ISS pela Controladoria Geral do Município reforça as críticas ao tribunal. "Foi um passo importante que descobriu tanto a partir de um algo tão singelo, como o monitoramento patrimonial", diz Soraia.

Para o PNBE, se não for extinto, o TCM-SP deve melhorar já a comunicação com a população. "O empresário não confia nestas entidades que supostamente deveriam ser as responsáveis pela fiscalização do Estado pela falta de canais de comunicação. Não conheço ninguém que tenha chegado lá sem conhecer alguém".

Para o cientista político e vice-coordenador do curso de graduação em administração pública da FGV-SP, Marco Antonio Carvalho Teixeira, melhorar a interação é imprescindível. "À luz da Lei de Acesso à Informação, os TCs precisam ser mais permeáveis à sociedade, porque se reportam muito mais ao Legislativo e tomam decisões que pouco são de domínio público". As entidades envolvidas na discussão defendem a criação de uma Ouvidoria do TCM-SP, para melhorar o acesso dos cidadãos ao tribunal.

Indicação

O TCM-SP tem cerca de 600 funcionários e custa R$ 250 milhões a cada ano aos cofres públicos. Tem cinco conselheiros com vagas loteadas pelo Executivo (duas ) e Legislativo (três) do município. Segundo o TCM-SP, as cadeiras do Executivo já estão preenchidas.

A próxima vaga é de indicação do Legislativo, segundo informou o TCM-SP ao DCI, sem contudo revelar o salário do novo membro. Em 2012, os ganhos variavam entre R$ 21,5 mil e R$ 24 mil.

Na Câmara, atualmente presidida pelo vereador José Américo (PT), os nomes indicados passam por comissões como a de Constituição e Justiça (CCJ) e sabatinas e depois um é aprovado pelo plenário. Só então, nomeado pelo prefeito Fernando Haddad (PT).

Procurados pelo DCI, tanto José Américo quanto Fernando Haddad não se manifestaram sobre os critérios que consideram relevantes para um conselheiro.
Já a Constituição é clara. Estabelece que o ocupante deve ter notórios conhecimentos de Direito, Economia ou Administração e, ao menos, dez anos de conhecimentos na área.

"A Câmara deverá ter um crivo mais profundo para demonstrar que os candidatos possuem tais predicados, além de verificar o perfil ético que também tem exigências profundas. É o único cargo da Constituição para o qual são sobrepostos idoneidade moral e reputação ilibada. É importante um debate de juristas para aprofundar o que significam tais requisitos", defende Maurício Faria, conselheiro do TCM-SP.

Bom exemplo

O Brasil tem 34 Tribunais de Contas que custam R$ 8 bilhões ao ano aos contribuintes. Alguns, como o Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCM-RS) já colhem elogios dos especialistas graças às mudanças que, a partir de 2010, tornaram o site mais interativo, reforçando a transparência e a efetividade.

Há uma década, a Ouvidoria do TCM-RS recebia perto de 470 demandas. Com o novo portal na internet, o crescimento foi exponencial. Em 2012, pelo menos 4 mil demandas. E este ano, já são mais de 8 mil.

"Para fim de controle social, o site é uma ferramenta fundamental, que capacitam o cidadão a participar de modo mais ativo de todo o processo de controle", diz o presidente do TCM-RS, Cezar Miola. 

Fonte: Site DCI