Ampcon e MPC/AL publicam nota de apoio ao MP de Alagoas

A Associação Nacional do Ministério Público de Contas (AMPCON) e o Ministério Público de Contas de Alagoas (MPC-AL) vêm a público manifestar seu apoio e prestar solidariedade ao honroso Ministério Público do Estado de Alagoas, que, por bem desempenhar sua missão constitucional de defesa da ordem jurídica e combate à corrupção, vem sendo alvo de covarde agressão institucional que tenta fulminar a autonomia orçamentária, financeira e administrativa desse indispensável órgão de salvaguarda da Democracia e do Estado Republicano. 

Em meados do ano passado, conforme amplamente veiculado na imprensa local e nacional, preocupantes denúncias de malversação de recursos públicos pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) provocaram a atuação do Ministério Público do Estado de Alagoas, do Ministério Público de Contas e da Controladoria-Geral da União no sentido de empreender profunda e detalhada investigação da gestão administrativa e financeira dos dirigentes daquela Casa Legislativa, trabalho este que, até o momento, já detectou graves ilegalidades e atos de improbidade que resultaram na propositura das primeiras ações judiciais conjuntas, culminando, inclusive, com o afastamento cautelar dos integrantes da Mesa Diretora da ALE por decisão judicial.

A partir de atuação ostensivamente revanchista e em inequívoco abuso de poder e desvio de finalidade da atividade legislativa, a ALE decidiu reduzir o orçamento do Ministério Público Estadual para o ano de 2014 em cerca de R$ 16 milhões sem qualquer justificativa técnica, medida que, entre outros óbices, impedirá a nomeação de promotores de justiça e servidores aprovados nos últimos concursos, colocará em risco a continuidade e inviabilizará a ampliação das ações preventivas e corretivas de proteção do patrimônio público. Além de estar dissociada da vontade soberana do povo alagoano que reclama por maiores e mais efetivas ações de combate à corrupção, a decisão da ALE é flagrantemente inconstitucional por ofensa direta à autonomia administrativa, financeira e orçamentária do Ministério Público Estadual, com restrição imediata à independência funcional dos valorosos Procuradores e Promotores de Justiça desse Estado. 

Não há como se dissociar tal medida das pretensões da famigerada PEC 37, fortemente rejeitada pela sociedade brasileira, dado que, sem muito esforço, é possível verificar que a limitação orçamentária e financeira pretendida tem como fim estabelecer amarras à atuação destemida do Ministério Público Estadual, instituição que se tem destacado no combate à corrupção no Estado de Alagoas.

Ao tempo que congratulamos o Excelentíssimo Governador do Estado de Alagoas pela escorreita e sábia de decisão de vetar os dispositivos da Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2014 que tentaram amordaçar o Ministério Público Estadual, a AMPCON e o MPC-AL rogam aos Ilustríssimos Deputados Estaduais de Alagoas que, em refletida decisão técnica e impessoal, mantenham incólume o veto governamental, prestigiando a supremacia do interesse público e a vontade popular de seus representados. 

DIOGO RINGENBERG
Presidente da AMPCON

PEDRO BARBOSA NETO 
Procurador-Geral do Ministério Público de Contas

RAFAEL RODRIGUES DE ALCÂNTARA
Subprocurador-Geral do Ministério Público de Contas

Fonte: Ampcon