Senado deve escolher hoje novo ministro do TCU

A decisão sobre quem vai ocupar o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), no lugar de Valmir Campelo, deve sair ainda nesta quarta-feira (23). A partir das 9h30, os três candidatos ao cargo serão sabatinados na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Depois, os senadores decidirão, em votação secreta, se cada um dos candidatos reúne os requisitos constitucionais para ocupar o cargo. A partir dos pareceres, caberá ao Plenário escolher o indicado. Na terça-feira (22), os candidatos Sérgio da Silva Mendes e Fernando Moutinho Ramalho participaram de um debate público promovido pela Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil (ANTC), em conjunto com representantes do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e Tribunal de Contas da União, da AMPCON, da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e da Associação dos Consultores e Advogados do Senado Federal (ALESF). Na ocasião, os indicados defenderam maior participação da sociedade na corte de contas. Questionados pelo secretário geral do Contas Abertas, Gil Castello Branco, que participou do debate como representante da sociedade civil, sobre como os laços da sociedade civil com o Tribunal podem ser estreitados, os candidatos afirmaram que o TCU necessita da participação popular no encaminhamento de denúncias. Para o consultor de orçamento do Senado Federal Fernando Moutinho, tanto as entidades representantes da sociedade civil, a exemplo do Contas Abertas, quanto associações menores precisam ser acolhidas como legítimas a representarem perante a corte. “Além disso, é preciso criar uma ouvidoria para atender a essa demanda específica (denúncias da sociedade). Se não houver essa conexão, o recebimento e a fiscalização ficam limitados”, explica Moutinho. Segundo Sérgio Mendes, auditor federal de controle externo do TCU, o tribunal precisa reconhecer que não dá conta de toda a demanda sozinho: “Se a sociedade não colaborar, o Tribunal não consegue responder as demandas da sociedade. É preciso ampliar o rol das pessoas que podem denunciar irregularidades perante o TCU”, completa. Outro aspecto que os candidatos consideram de extrema importância diz respeito à transparência. Para Mendes “a prioridade é trabalhar de forma que o TCU se comunique com a sociedade e produza soluções para o povo”. Para isso, segundo ele, a transparência deve ser feita com informação traduzida para a linguagem do povo e da sociedade. O economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Mansueto Almeida, que também participou do debate, ressaltou a importância de se adequar a linguagem e tornar públicos relatórios divulgados pelo TCU: “Os melhores economistas do Brasil entendem muito pouco de finanças públicas, imagina a sociedade em geral. O relatório das Contas da União é denso e muito se pode aprender com a sua leitura. Pessoalmente, leio o relatório minuciosamente e creio que o texto deveria ser debatido em audiências públicas antes da edição da versão final”. Em aditamento à observação do economista, Moutinho defendeu a realização de audiências públicas prévias também a divulgação dos resultados das investigações, de forma a esclarecer a população. Para Mendes, o TCU “deve ter coragem para esclarecer as contas públicas”. 

Ausência
O terceiro candidato ao cargo de ministro do TCU, Bruno Dantas, não compareceu ao debate. Na abertura da solenidade, o procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União e vice-presidente da Associação Nacional do Ministério Público de Contas (AMPCON), Júlio Marcelo de Oliveira, lamentou a ausência de Dantas: “A disponibilidade é um ato de cidadania e coragem. Acho que ele não compreendeu a importância desse momento”. Durante o debate, os candidatos responderam perguntas sobre a importância do TCU na investigação das contas das empresas estatais e também sobre a escolha política dos ministros do Tribunal. Em relação ao último tema, Moutinho defendeu que embora as pessoas acreditem que os ministros com origem política tenham mais facilidades nas articulações da Corte, a diversidade só melhora a função institucional: “Não dá para depender de favor, o trabalho deve ser reconhecido pelo valor que traz à sociedade”. Para Mendes, a força do Tribunal deve vir da respeitabilidade e não de indicações “tapa-buraco”. Bruno Dantas foi uma indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Dantas vai substituir a indicação do senador Gim Argello para o TCU, que desistiu de concorrer à vaga depois de protestos da oposição e de servidores do TCU. O consultor legislativo Bruno Dantas foi indicado pelos líderes do PMDB, da maioria e do governo no lugar do senador Gim Argello (PTB-DF), que desistiu da disputa após sofrer resistência à sua indicação. O auditor Sérgio Mendes foi indicado pelo líder do SDD, senador Vicentinho Alves (TO). O consultor de Orçamento Fernando Moutinho é a aposta dos partidos de oposição para a vaga. Ele foi indicado pelos líderes do PSDB, DEM, PSOL, PSB e PDT. 

Os candidatos
Bruno Dantas ocupou o cargo de consultor-geral legislativo do Senado entre abril de 2007 e julho de 2011. Consultor legislativo da área de Direito Civil e Processo Civil do Senado desde 2003, Bruno é graduado em Direito, com especialização em Direito Civil e mestrado e doutorado em Direito Processual Civil. Ele já foi representante do Senado no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Também é professor universitário. Fernando Moutinho Ramalho Bittencourt é consultor de Orçamento do Senado desde 2006. Antes disso, de 1995 a 2006, foi auditor do TCU. Mestre em Auditoria, é professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Instituto Legislativo Brasileiro (ILB). É bacharel em Ciências Econômicas com especializações em Auditoria e Ciência Política. Já trabalhou no Banco do Brasil e é autor de mais de 30 publicações técnicas e acadêmicas. Sérgio da Silva Mendes tem mais de 20 anos de carreira no TCU, onde já exerceu atividades de auditor, diretor, consultor jurídico e assessor. É graduado e mestre em Direito, bacharel em Administração, doutor em Filosofia. É professor de duas instituições de ensino superior em Brasília. Já trabalhou também na Caixa Econômica Federal, Ministério da Previdência, Banco do Brasil, governo de Sergipe, Ministério da Fazenda, Tesouro Nacional e Supremo Tribunal Federal. É especialista em Contas Públicas e Políticas Públicas. -

Fonte: Contas Abertas