Irregularidades no Cantá serão investigadas, garante procurador-geral de Contas‏

O Ministério Público de Contas de Roraima (MPC/RR) recebeu mais de dez denúncias contra a Prefeitura do Cantá, durante visita de técnicos da instituição ao município, ocorrida nesta sexta-feira, 6. O órgão fiscalizador já instaurou procedimento investigatório e enviou ofícios ao Executivo Municipal, solicitando informações. 

Um dos principais “gargalhos” enfrentados pela população é a precariedade no serviço público de saúde. Faltam medicamentos, principalmente antibióticos para adultos. Um dos casos foi relatado por uma gestante, que, grávida de 9 meses, não consegue remédio no posto de saúde para curar uma infecção urinária. 

Uma equipe médica do MPC, acompanhada do procurador-geral Paulo Sousa, constatou a falta de medicamentos durante inspeção ao único posto de saúde do município. Também foi feita uma visita ao centro de saúde Sebastião Rodrigues Silva, em obra há quase um ano, quando deveria ter ficado pronto em 90 dias. A reforma, avaliada em quase R$ 198 mil, está abandonada. No local, ainda há vacinas, agulhas e seringas descartadas de maneira inadequada. 

Também parada há anos está a construção de uma creche. A obra não tem nem mais placa de identificação. Somam-se a esses problemas a infraestrutura inadequada de escolas e do único ginásio da cidade. A situação mais grave foi encontrada na escola estadual José Aureliano da Costa. Nela faltam portas e janelas; lâmpadas, aparelhos de ar-condicionado e ventiladores não funcionam. A Secretaria Estadual de Educação será notificada na próxima semana. 

Moradores ainda relataram perseguição por parte da gestão municipal. O problema teria sido agravado após o evento “Olho Vivo no Dinheiro Público”, realizado pela Controladoria-Geral da União em parceria com órgãos fiscalizadores, no mês passado. Servidores concursados que relataram irregularidades no município estariam sendo transferidos para outros setores. 

Esse foi o caso de um operador de trator, funcionário municipal há mais de 10 anos. Depois do evento, onde fez denúncias sobre a gestão municipal às autoridades, foi colocado para varrer a rua. “Não vou permitir perseguição aos servidores”, assegurou o procurador-geral Paulo Sousa, que ao tomar conhecimento do caso, emitiu de imediato expediente à Prefeitura do Cantá, cobrando explicação. Se confirmado, tratar-se-á de flagrante perseguição e desvio de função pública.  

Ainda foram solicitados à gestão municipal processos licitatórios, informações sobre servidores comissionados que supostamente não comparecem ao trabalho, além de esclarecimentos sobre dois policiais – sendo um civil e militar – ocupantes de cargo comissionado, quando suas atividades são de dedicação exclusiva. Um deles, apontam as denúncias, é secretário municipal. 

Os trabalhos técnicos foram realizados no Centro Pastoral da Igreja Católica. Concomitante ao recebimento de denúncias, dois médicos do Ministério Público de Contas realizaram mais de 20 atendimentos no local. Ao menos uma vez por mês técnicos e médicos do órgão visitarão o município. 

MPC - O Ministério Público de Contas de Roraima é uma instituição permanente e essencial às funções de fiscalização e controle externo do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais, individuais e indisponíveis. Seus princípios institucionais são a unidade, indivisibilidade e a independência funcional.

É um órgão indispensável na fiscalização das contas públicas junto ao Tribunal de Contas do Estado, oferecendo à Corte representações sobre fatos relevantes. Do ponto de vista social, é um aliado no combate a malversação de recursos públicos.