O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) não recebeu nenhuma denúncia formal com relação a possíveis irregularidades no andamento dos processos licitatórios visando o asfaltamento de ruas da capital e de rodovias nos demais municípios. A informação foi repassada à Folha pelo promotor Luiz Antonio Sousa, que explicou que nenhuma representação tratando do caso tramita no órgão.
A Folha vem publicando matérias sobre a questão desde terça-feira, 22. Os deputados que compõem a bancada da oposição na Assembleia Legislativa chegaram a convocar imprensa para entrevista coletiva e afirmaram ter apontado, 12 dias antes de publicado o resultado, os nomes das três empresas que ganhariam os processos licitatórios envolvendo os recursos do Pró-Investe.
No dia 10 passado, o deputado Flamarion Portela (PTC) encaminhou envelopes lacrados com a informação ao MPRR e ao Tribunal de Contas do Estado, apontando quais seriam as empresas vencedoras. Luiz Antonio confirmou a informação e disse que a “previsão” feita pelo parlamentar confere totalmente com o resultado publicado.
Segundo ele, a investigação será feita em conjunto com o Ministério Público de Contas. O procurador-geral Paulo Sérgio Sousa teria solicitado antecipadamente a cópia dos processos, o que adianta as investigações, segundo Luiz Antonio. “Vamos trabalhar a quatro mãos”, disse.
O promotor ressaltou que o fato isolado do anúncio feito pelo deputado não garante a ocorrência de irregularidades. “Não diz tudo. Até porque na data em que o envelope foi lacrado já ocorria a licitação”, disse. O MP não acompanhava a realização do certame, por isso precisa das cópias dos três processos. “Vamos pegar os processos e analisar desde a composição da comissão de licitação, as empresas que pegaram o edital e participaram e, ao final, vamos nos manifestar a respeito”, declarou.
Segundo informou Luiz Antonio, os órgãos ainda aguardam o fornecimento das cópias. Ele confirmou ter solicitado da Secretaria de Infraestrutura e ter recebido como resposta a impossibilidade de encaminhar no prazo solicitado. “Até o momento não recebemos. A investigação será rápida, porquê o processo em si aparentemente não é longo, e os questionamentos tratam de itens específicos do projeto básico”, frisou.
RELATÓRIO - Os deputados da bancada de oposição afirmaram à imprensa que trabalham na elaboração de um relatório detalhado sobre o caso, que deve ser remetido aos órgãos de controle do estado.
A Folha procurou o Ministério Público de Contas para se manifestar em torno da participação nas investigações, mas a assessoria de comunicação informou que o órgão não se pronuncia com relação ao caso.
GOVERNO – Em entrevista à Folha no início desta semana, o governador Anchieta Júnior (PSDB), afirmou que as acusações dos parlamentares seriam “levianas”, mas suscitou os órgãos de fiscalização a apurar, caso a denúncia seja formalizada.
Essen confirmou ter recebido do deputado Flamarion Portela (PTC), há cerca de duas semanas, um envelope lacrado com a recomendação de que fosse aberto apenas após a publicação do resultado das licitações, dizendo que aquele seria o resultado da licitação. “Dito e feito”, comentou.
Ele explicou que esse fato deve compor o relatório, realizado pela técnica que acompanhou o certame. “Não sou o relator da matéria. Determinei que ela fizesse o relatório e encaminhasse ao relator dentro do trabalho que ela fez. Lógico que ela vai dizer o que aconteceu”, disse. O conselheiro informou não ter fixado um prazo para a conclusão do relatório.
Questionado sobre uma possível coincidência entre a informação adiantada por Flamarion e o resultado publicado, Essen foi objetivo: “Na vida tudo é possível. Pode até haver coincidência, mas vai ser investigado”.
A assinatura da ordem de serviço da obra, anunciada pelo Governo do Estado para segunda-feira, 28, não atrapalha a investigação proposta pelo órgão, conforme o conselheiro. “Vai ser feita de qualquer forma, com antecipação ou não. O Tribunal vai se manifestar futuramente, através do relator, que é quem pode determinar prazo. Na hora em que ele receber as informações pode se manifestar, levar a plenário”, disse. As obras podem vir a ser suspensas, caso confirmado o teor das denúncias. “Existem ferramentas para isso, depende da análise do relator”, frisou.
LICITAÇÃO - Os contratos firmados com as três empresas prevêem a pavimentação de 200 quilômetros de vias urbanas na capital. O investimento é da ordem de R$ 40 milhões.
A licitação foi iniciada em dezembro, e teve seu resultado publicado esta semana. A intenção do governo é de entregar parte da obra antes do período do inverno.



