Sesau cancela pregão e Megafoods continua fornecendo alimentos

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) atendeu a recomendação do Ministério Público de Contas (MPC) e cancelou o pregão presencial aberto no ano passado para contratar uma empresa fornecedora de alimentos às unidades de saúde do Estado. A suspensão do processo teve origem após denúncia anônima de supostas irregularidades na licitação, o que acabou forçando o pedido de afastamento do secretário da Saúde, Leocádio Vasconcelos, em dezembro passado. Duas semanas depois, já em janeiro deste ano, Leocádio voltou ao cargo.

Ontem à tarde, por meio da Assessoria de Comunicação, o secretário informou que, tramitado o processo de cancelamento do pregão presencial, a Sesau irá elaborar uma nova minuta para abrir outro processo, mas agora na modalidade de pregão eletrônico. Ainda segundo a Ascom, a previsão é que isso aconteça até o final deste mês.

A Sesau ainda aguarda o posicionamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que também solicitou no início deste mês uma cópia do processo de licitação que supostamente beneficiaria a vencedora do certame, a empresa Thayty Comércio e Serviços LTDA, conforme disse o procurador-geral de Contas, Paulo Sérgio Oliveira.

Enquanto não ocorre a contratação da nova empresa, a Megafoods continuará fornecendo alimentação aos hospitais administrados pelo Estado. Como o contrato máximo de cinco anos já extrapolou, entre Megafoods e governo, foi feito um aditivo ao contrato. A Ascom não divulgou qual o valor.


Nome de deputado foi envolvido no caso que gerou pedido de afastamento

No decorrer do imbróglio entre Leocádio e Paulo Sérgio, foi ventilado até o nome de um deputado estadual da base governista que, mesmo indiretamente, estaria ligado à empresa Megafoods. Este parlamentar teria sido o autor da denúncia da suposta licitação direcionada na Sesau, o que forçou o pedido de afastamento do secretário. Na ocasião, após a exoneração, Leocádio avisou que tomaria providência judicial para saber quem foi o autor da denúncia, uma vez que o procurador-geral do MPC escutara em depoimento o denunciante.

“Não admito que uma denúncia como essa venha comprometer meu caráter, porque tenho respeito pela coisa pública. Senti-me agredido, não aceito duvidarem da minha honestidade pela coisa pública", ressaltou Leocádio Vasconcelos, frisando não ter ligação alguma com as pessoas da empresa citada pelo denunciante.

Durante coletiva, ele não citou nomes, mas se mostrou indignado com o autor da denúncia. “Um deputado ligado à Megafoods comentou a terceiros que eu estaria dirigindo essa licitação à empresa do meu interesse, em prejuízo a Megafoods. E eis que no dia 27, usando o expediente covarde do anonimato, formalizaram uma denúncia no Ministério Público de Contas”, afirmou na entrevista.

Nem o Ministério Público de Contas nem Leocádio Vasconcelos citaram o nome do denunciante envolvido no caso da Megafoods, mas em entrevista após o imbróglio, o deputado estadual Brito Bezerra (PP) pediu rigor nas investigações, pois a denúncia teria partido de um deputado da base do governo. “O secretário [Sesau] é acusado por um deputado de base, e não por deputados da oposição”, comentou.

Como o nome de um deputado estadual fora ventilado durante a troca de farpas’ entre Leocádio e Paulo Sérgio, a Folha foi ontem à tarde à Corregedoria da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) saber se algum deputado fora denunciado sobre o assunto, mas uma atendente informou que o corregedor-geral, deputado Erci de Morais (PPS), só estaria atendendo pela parte da manhã, em seu gabinete. (A.J.)


Fonte: Folha Bv