O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conselheiro Essen Pinheiro, disse ontem, durante entrevista em seu gabinete, que pela Emenda 29 o Ministério Público de Contas (MPC) tem autonomia para intimar secretário estadual. Com a afirmação, o secretário estadual da Saúde, Leocádio Vasconcelos, pode agora ficar frente a frente com o procurador-geral de Contas, Paulo Sérgio Oliveira.
Desde novembro do ano passado, os dois travam uma queda de braço para ver qual empresa ganhará o contrato milionário de pouco mais de R$ 11 milhões para fornecer alimentação às unidades hospitalares do Governo do Estado, sediadas em Boa Vista. Paulo Sérgio chegou a intimar Leocádio após denúncia anônima que apontava supostas irregularidades no processo de licitação.
À época, a denúncia caiu como uma bomba, momento em que o titular da Sesau decidiu pedir afastamento do cargo. Quando intimado por Paulo Sérgio, Leocádio Vasconcelos avisou que só iria quando o TCE se manifestasse sobre o assunto, confirmando ou não que seria de competência do MPC intimar secretário de Estado.
“Pela Emenda 29, o MPC tem poder para intimar. Pode, mas não é julgador”, observou Essen Pinheiro. O imbróglio sobre a suposta irregularidade na Sesau também já está sendo analisado pelo TCE, nas mãos do relator, conselheiro Reinaldo Neves, que está viajando, por isso não houve manifestação por parte do órgão a respeito do processo.
“Enquanto o processo estiver em instrução, o relator não pode se manifestar”, disse o presidente, o qual adiantou que, se ficar constatada alguma irregularidade na suposta licitação na Sesau, o TCE poderá pedir o afastamento do secretário.
“Assim que tive conhecimento da suposta irregularidade, solicitei uma cópia do processo. Depois foi sorteado o relator. Não há previsão para o conselheiro Reinaldo finalizar os trabalhos. O colegiado ainda vai sentar-se para julgar o caso”, ressaltou Essen.
PREGÃO SUSPENSO – Na semana passada, a juíza Elaine Cristina Bianchi, da 2ª Vara Cível da Comarca de Boa Vista, suspendeu o pregão eletrônico da Sesau que contrataria a empresa fornecedora de alimentos para as unidades de saúde na Capital. A magistrada atendeu ao mandado de segurança impetrado pela firma Magalhães e Moraes Fornecimento de Alimentos Preparados Ltda.
Na liminar, os responsáveis pela firma alegam que foram prejudicados no certame porque não puderam cadastrar a proposta de preço no pregão devido a um erro no portal do Governo do Estado, o que teria impossibilitado o acesso ao login. O problema no site estaria ocorrendo desde o domingo passado, 24, segundo os representantes da firma.
A Sesau informou que o referido pregão eletrônico foi concluído e três empresas concorreram, duas de Boa Vista e uma de Rondônia. A empresa classificada em primeiro lugar foi considerada inabilitada porque estava com certidões e alvará de funcionamento vencidos. Desta forma, a ganhadora do processo licitatório foi a segunda classificada, a empresa Thayty Comércio e Serviços Ltda, alvo da denúncia de irregularidade que gerou toda a polêmica.
O CASO – O impasse entre Leocádio e Paulo Sérgio começou no ano passado, quando um anônimo denunciou supostas irregularidades no processo de licitação na Sesau para contratar uma empresa fornecedora de alimentos. A Thayty, que venceu o pregão eletrônico, seria beneficiada. A carta do anônimo foi protocolada junto ao MPC. A partir daí, o procurador-geral de Contas, Paulo Sérgio, e o secretário Leocádio Vasconcelos começaram a travar a queda de braço.
Na semana passada, mais um capítulo da novela. Paulo Sérgio concluiu o Procedimento Investigatório Preliminar (PIP) e pediu o afastamento de Leocádio. Ele sustentou as denúncias e alegou supostas ilegalidades no referido processo. O secretário logo rebateu, dizendo que Paulo Sérgio seria “advogado da Megaclear”, que atualmente fornece o alimento para a Sesau. Disse ainda que só se afastaria do cargo se o TCE assim determinasse.
Leocádio Vasconcelos avisou que Paulo Sérgio iria arcar com as consequências, respondendo criminal e administrativamente. O secretário fez até um desafio a Paulo Sérgio: “Se o TCE não me afastar, então que ele se afaste por incompetência, calúnia e difamação”. (AJ)
Sesau suspenderá resultado do pregão
Ontem pela manhã, a Folha tentou uma entrevista com o secretário Leocádio Vasconcelos, mas a Assessoria de Comunicação solicitou à equipe de reportagem que fizesse as perguntas e enviasse por e-mail, o que foi feito ainda pela manhã.
Em relação à suspensão do resultado do pregão eletrônico para contratação de empresa para fornecer alimentação às unidades hospitalares, realizado na semana passada, a Secretaria de Estado da Saúde informou que já foi notificada pela Justiça e no prazo de dez dias atenderá as solicitações feitas pela Justiça. (AJ)
MPC deverá encaminhar processo à Polícia Federal
O Ministério Público de Contas de Roraima vai pedir cópia do processo licitatório 001/2013 para analisar se de fato houve algum problema no sistema eletrônico do pregão, que venha a ter ocasionado limitação de competição de empresa.
Se ficar comprovado que o sistema esteve fora do ar, será investigada a conduta dos pregoeiros para apurar se o problema no sistema foi intencional não. O Ministério Público de Contas informa ainda que vai encaminhar para a Polícia Federal todas as informações colhidas, já que o sistema Comprasnet pertence à União. (AJ)
Fonte: Folha de Boa Vista



