O Ministério Público de Contas de Roraima (MPC/RR) protocolou nesta sexta-feira, 27, representação administrativa junto à Corregedoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) pedindo o afastamento das funções do conselheiro Manoel Dantas Dias e outros oito servidores por fraude em licitação. O dano ao erário está avaliado em mais de R$ 105 mil.
As irregularidades estão relacionadas as maquetes eletrônica e física do prédio onde funcionará a nova sede do TCE, em Boa Vista, bem como a festa de apresentação dos protótipos. À época, Manoel Dantas era o presidente da Corte de Contas. O projeto arquitetônico elaborado pelo escritório de Oscar Niemeyer, que estava orçado inicialmente em R$ 700 mil, custou aos cofres públicos mais de R$ 2,4 milhões.Em março deste ano, uma representação também foi encaminhada pelo MPC à Assembleia Legislativa de Roraima pedindo à apuração das denúncias.
Ainda foi protocolado na semana passada pedido de investigação junto a Procuradoria Geral da República, uma vez que o conselheiro tem foro privilegiado.Consta na representação, assinada pelo procurador geral do Ministério Público de Contas de Roraima, Paulo Sérgio Oliveira de Sousa, que a licitação para a confecção da maquete física ocorreu em quatro dias, sem que houvesse publicação do resultado e homologação do certame no Diário Oficial do Estado.
Quatro dias após o empenho, durante um fim de semana, a maquete não só foi entregue sem nota fiscal por uma empresa do Rio de Janeiro, como foi lançada oficialmente durante uma festa. A maquete custou R$ 30 mil.A maquete eletrônica, orçada em R$ 48,5 mil, foi entregue sem a realização de licitação. O processo foi concluído na cotação de preços. Além disso, para a festa de lançamento dos objetos, foram contratados serviços fotográfico e de projeção, que somados chegaram a R$ 7,1 mil, quando o Tribunal de Contas já dispõe de profissionais para executar tal atividades.
Conforme a representação, “restou comprovado que o conselheiro Manoel Dantas Dias executou a fraude nos processos licitatórios por meio da modalidade convite. Assim, os indivíduos, por eles nomeados, organizaram e operaram um lesivo esquema criminoso o qual tinha por desiderato a sangria dos cofres públicos, notadamente com relação aos recursos destinados à confecção de maquetes física e eletrônica do projeto TCE/RR, e a contratação de empresa para o cerimonial da mega apresentação das maquetes”.
Além disso, o MPC apura a participação de uma psicóloga do TCE que integrou a comissão de acompanhamento do projeto arquitetônico quanto ao princípio da eficiência da administração pública bem como possível favorecimento da servidora, uma vez que ela recebia diárias de mais de R$ 2 mil sem ter capacidade técnica para atuar no caso.
O procurador Paulo Sousa requisitou ao Tribunal de Contas em junho do ano passado cópias dos processos licitatórios, mas não foi atendido. Somente em dezembro de 2011, recebeu de forma extraoficial a documentação.
Para o Ministério Público de Contas, houve crimes de fraude em licitação, formação de quadrilha, corrupção passiva, advocacia administrativa e inserção de dados falsos em sistema de informações que resultaram na sangria dos cofres públicos.



