Ministério Público de Contas entrega no Congresso manifesto por autonomia

Humberto Bredera

Ministério Público de Contas entrega no Congresso manifesto por autonomia

Procuradores de Contas foram recebidos pela presid

Foto: Humberto Bredera


Procuradores de contas que participaram do evento “Mobilização Nacional do Ministério Público de Contas”, ocorrido em Brasília no último dia 25 de abril, foram ao Congresso Nacional para entregar a “Carta de Brasília” para a presidente do Senado em exercício, Marta Suplicy (PT-SP) e para o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT/RS).
O documento tem como objetivo solicitar apoio do legislativo brasileiro na luta do Ministério Público de Contas (MPC) para garantir autonomia funcional, administrativa e financeira do órgão. Os procuradores estavam acompanhados da senadora Ângela Portela (PT).
Durante o evento, que deslanchou a mobilização nacional do MPC, Marivaldo de Castro Pereira, secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, representando o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o aperfeiçoamento da gestão pública, a modernização e a transparência são temas prioritários para o ministério e a autonomia do MPC vai nessa direção. “O Ministério da Justiça abraça a causa e se compromete a tratar esta demanda como meta a ser cumprida”, enfatizou.O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, apoiador do evento, salientou que os tribunais de contas precisam ser fiscalizados “para que não ocorram abusos”. “O MPC tem que ser um órgão com papel de colaborar com o controle externo de contas e com os tribunais de contas para que o estado possa respeitar princípios como a boa gestão pública e a boa utilização dos recursos que nós, cidadãos, recolhemos em favor do Estado”, disse o presidente da OAB.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, apoiador do evento, salientou que os tribunais de contas precisam ser fiscalizados “para que não ocorram abusos”. “O MPC tem que ser um órgão com papel de colaborar com o controle externo de contas e com os tribunais de contas para que o estado possa respeitar princípios como a boa gestão pública e a boa utilização dos recursos que nós, cidadãos, recolhemos em favor do Estado”, disse o presidente da OAB.
O presidente do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Contas (CNPGC), Geraldo da Camino, disse que a luta pela autonomia não tem como objetivo atingir os tribunais de contas. “Nossa demanda nada tem de corporativista nem qualquer ideia de atacar os tribunais de contas”, afirmou. “Ao contrário, a autonomia garante a defesa dos tribunais, que passarão a ter fiscalização sistemática preservando, assim, o seu funcionamento correto, a transparência e a harmonia do sistema”.
O economista Gil Castello Branco, fundador do portal Contas Abertas, que também apoia o movimento, lembrou que a autonomia do Ministério Público de Contas é passo essencial para o aperfeiçoamento do controle social no Brasil. “O tribunal de contas é um atleta com corpo forte, mas cabeça ruim”, comparou. “Temos que valorizar o corpo técnico, mas sabemos o quanto são decisões meramente políticas são adotadas”.
A falta de transparência nas atividades dos Tribunais de Contas estaduais é um dos motivos que movem os procuradores de contas do país a se mobilizarem pela autonomia. O movimento é encabeçado pelo Conselho Geral dos Procuradores de Contas, pela Associação Nacional dos Ministérios Públicos de Contas (AMPCON) e pelos Ministérios Públicos de Contas de Roraima e Pará.
“Os Tribunais de Contas fiscalizam o poder público, mas atualmente ninguém realmente fiscaliza as atividades dos Tribunais de Contas”, sustenta o procurador-geral de contas de Roraima, Paulo Sérgio Oliveira de Sousa, coordenador da mobilização nacional.

Levantamento feito pelo Ministério Público de Contas de Roraima mostra que, dos 240 conselheiros espalhados pelos tribunais estaduais de contas do País, 53 enfrentam algum tipo de investigação por crimes como licitações fraudulentas, desvio de recursos, crimes contra o sistema financeiro, nepotismo, entre outros.
Atualmente, três estados concederam autonomia aos seus ministérios públicos de contas: Roraima, Pará e Alagoas. No entanto, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) começou a ser julgada no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do estado de Roraima. O relator, ministro Joaquim Barbosa, deu parecer favorável à ADIn. O pedido de vistas do ministro Carlos Ayres Brito, no dia 21 de março de 2012, adiou a decisão, que deve ser julgada até o final do semestre ou meados do próximo.