Ao que tudo indica, ainda não está definido quem deverá indicar a pessoa que vai ocupar a vaga deixada pelo conselheiro Reinaldo Neves, vice-presidente do TCE-RR (Tribunal de Contas do Estado de Roraima). Isso porque, mesmo depois de o Ministério Público de Contas (MPC) se manifestar abrindo mão da vaga, deixando como antes, a indicação para a Assembleia Legislativa do Estado de Roraima (ALE-RR), o TCE deverá entrar hoje com uma representação junto ao CNMPC (Conselho Nacional dos Ministérios Públicos de Contas) para obter uma resposta sobre o posicionamento do MPC de Roraima.
A representação foi decidida no plenário do TCE, na sessão de ontem, depois de um requerimento do ouvidor da Casa, o conselheiro Joaquim Pinto Souto Maior, o Netão, para que o CNMPC se manifeste nessa questão. Segundo ele, a intenção é garantir que o TCE conduza totalmente dentro da legalidade o processo de preenchimento da vaga a ser deixada pelo conselheiro Reinaldo Neves, que já deu início ao processo de aposentadoria.
“Há entendimentos e decisões em instâncias superiores de que o Ministério Público de Contas, depois de instalado, deve ocupar uma das vagas de conselheiro nos Tribunais de Contas dos Estados. Por isso, vamos representar o Conselho, a quem o MPC é subordinado, e se ainda o entendimento for o mesmo, vamos acionar também o STF [Supremo Tribunal Federal]”, afirmou Netão, destacando que este esforço é para garantir que o TCE atenda o preenchimento das vagas dentro da legalidade exigida.
A previsão é que até o mês que vem o processo de substituição de conselheiro no Tribunal de Contas seja iniciado. Isso porque, por razões pessoais, o conselheiro Reinaldo Neves adiantou o processo de aposentadoria, já que completará 70 anos apenas no dia 06 de outubro. Dessa maneira, quem indica o novo conselheiro já está sendo discutido há algumas semanas no Estado.
Antes das decisões jurídicas que já vinham sendo proferidas por todo o Brasil em casos semelhantes, o processo natural seria a ALE-RR indicar uma pessoa para a vaga de Neves, o qual foi indicado pelo Legislativo estadual. No entanto, instâncias jurídicas superiores já vêm decidindo e recomendando a todos os tribunais que observem as pendências das vagas para auditores e membros do Ministério Público de Contas nos Tribunais no momento do processo de ocupação das vagas que forem surgindo. A recomendação seria que aqueles tribunais que ainda atenderam a essa determinação e que a cumpram com o surgimento das próximas vagas.
O TCE-RR, observando essas decisões, inclusive do STF, e as pendências na Casa, votou e determinou que a vaga ficasse para ser preenchida por um membro do MPC, e não por um indicado pela ALE-RR. No entanto, o MPC não teve o mesmo entendimento.
Segundo o procurador-geral de Contas, Paulo Sérgio Oliveira de Sousa, ele e os demais procuradores se reuniram e analisaram as decisões já proferidas pelo STF e entenderam que a vaga de indicação de um membro do MPC já está ocupada pelo conselheiro Marcus Hollanda e que esta que foi aberta, com a saída do conselheiro Reinaldo Neves, é da Assembleia. Com isso, o MPC deverá aguardar a abertura da vaga que hoje já está preenchida.
Dessa maneira, o processo de preenchimento da vaga deixada por Neves deverá ser decidido na Justiça. (S.A)
Fonte: FolhaBV



