Depois de passar por uma auditoria promovida pelo Fiscobras (Plano de Fiscalização Anual) do Tribunal de Contas da União (TCU), o Governo do Estado deverá readequar os preços praticados pela empresa Coema Paisagismo, Urbanismo e Serviços Ltda, responsável pela obra de reforma do Estádio Flamarion Vasconcelos, mais conhecido como Canarinho. O objetivo é que sejam saneados problemas de sobrepreço encontrados no projeto da reforma. O relatório da auditoria identificou indícios de superestimativa de quantitativos, resultando em sobrepreço nos materiais empregados nas obras.
O objeto da fiscalização compreendeu a 1ª etapa do empreendimento, levando em conta a reforma e recuperação estrutural da arquibancada existente; a substituição do campo de futebol e da pista de atletismo; a instalação de sistema de irrigação e drenagem; e a urbanização do estádio.
O contrato com a empresa foi fechado ao custo de mais de R$35,6 milhões. Os recursos destinados às obras foram designados por meio de convênio firmado entre o Ministério do Esporte, representado pela Caixa Econômica Federal, e o Estado de Roraima, no total de R$37.774.604,52, sendo R$28.950.000,00 de verba federal e R$8.824.604,52 a cargo do Estado de Roraima. Parte da verba federal foi obtida por meio de emenda parlamentar do senador Romero Jucá (PMDB).
A vistoria do TCU, que foi realizada no primeiro semestre deste ano, motivada por denúncias feitas pelo Congresso Nacional e pedido de Medida Cautelar para retenção dos montantes para prevenir o possível dano ao erário estimado em R$6.540.962,67, constatou que cerca de 19% da obra havia sido executada, sendo que, conforme o cronograma físico financeiro, a execução deveria ser de 78%, nesse período das obras.
Além do sobrepreço, decorrente de quantitativo inadequado de material, a fiscalização identificou ainda sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado; projeto executivo deficiente ou desatualizado; fiscalização ou supervisão deficiente ou omissa, que é de responsabilidade da Architech, empresa contratada para auxiliar na fiscalização da obra; inobservância dos requisitos legais e técnicos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida; entre outras deficiências.
Com base nesse relatório, os ministros do TCU, em sessão ordinária, emitiram um acórdão determinando que o Governo do Estado, por meio da Seinf (Secretaria Estadual de Infraestrutura), adote medidas no sentido de repactuar o contrato com a empresa Coema, de modo a observar os preços máximos calculados pela equipe de auditoria, deixando de adotar os que vinham sendo praticados com indícios de sobrepreço.
Determinou ainda à Secretaria Executiva do Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal que as futuras transferências de recursos efetuadas com base no contrato com a Coema e termos aditivos, celebrados com o Governo do Estado, sejam observados o somatório de todas as parcelas já repassadas e das que forem transferidas até o final da execução, para que sejam correspondentes apenas ao montante já com a redução do sobrepreço apontado pela auditoria.
Caso as medidas não sejam adotadas, o acórdão prevê que as recomendações deixem de ser baseadas no Indício de Irregularidade Grave que não Prejudique à Continuidade (IGC), sendo reclassificadas em Irregularidade Grave com Recomendação de Retenção Parcial de Valores (IGR) e Indício de Irregularidade Grave com Recomendação de Paralisação (IGP).
Seinf nega irregularidades na obra
Apesar dos apontamentos indicados pelos ministros do TCU, a Seinf informou em nota que as medidas determinadas no acórdão não foram adotadas em razão de o processo ainda estar em situação de análise. A secretaria afirmou a inexistência das irregularidades apontadas, questionando as informações na manifestação apresentada ao órgão fiscalizador.
“Todos os questionamentos feitos pelo TCU sobre a obra de reforma do estádio e de construção do Complexo Canarinho foram respondidos pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e pelas empresas Coema Paisagismo, Urbanismo e Serviços Ltda e a Architech. A primeira executora e a segunda projetista da obra. Nos argumentos, todas afirmam a inexistência de sobrepreço na contratação dos serviços. Quanto ao custo global da obra, não há questionamentos sobre isso, portanto ele não se altera”, informou a nota enviada pela Assessoria de Imprensa do órgão.
OBRA – Apesar da auditoria do TCU ter identificado, no primeiro semestre deste ano, que apenas 20% das obras do Canarinho haviam sido executadas, sendo que o projeto previa que até esta data, o cumprimento deveria ser de 78%, a Seinf divulgou no início do segundo semestre deste ano que 60% da reforma já havia sido concluída, e que para finalizar a obra o trabalho estava por conta apenas do acabamento, que depende da aquisição de materiais como louças, metais e revestimentos.
Dividida em três etapas, a obra contempla a reforma do estádio, construção da pista de atletismo com 400 metros, a urbanização da área externa, que compreende o Campus da Universidade Estadual de Roraima (Uerr) e o Ginásio Hélio Campos, além da construção de uma arquibancada, em frente à existente, com capacidade para receber mais cinco mil espectadores, duplicando a atual capacidade de lotação do Canarinho.
Nesta primeira etapa também estão previstos a construção de 36 boxes para comercialização de bebidas e de alimentos, dois vestiários, dois dormitórios, sala de aquecimento, que terá grama sintética, 119 banheiros, quatro salas para abrigar as federações desportivas, pronto socorro e área VIP. Todos os ambientes deverão ser climatizados.
A segunda e a terceira etapas da obra contemplam a urbanização da parte externa do estádio, em um complexo que inclui a área do estacionamento da Uerr até o Ginásio Hélio Campos, bem como a construção do espelho da atual arquibancada. Consta também nessa parte do projeto a construção de calçadas, de estacionamento e de monumento para colocação de bandeiras.
Fonte: Folha BV



