NOTA PÚBLICA

NOTA PÚBLICA

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A Associação Nacional do Ministério Público de Contas - AMPCON - entidade que congrega todos os Procuradores de Contas do Brasil, vem a público manifestar-se sobre manifestações divulgadas na data de ontem pelo conselheiro Antônio Joaquim, presidente da ATRICON.

A AMPCON atuou como convidada na reunião da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, ocorrida em 17/09/2013, não detendo domínio algum sobre os participantes daquela reunião ou seus convidados, como esclareceu-se na oportunidade ao eminente presidente;

Na condição de entidade representativa de agentes públicos que pertencem a órgão inserido na “intimidade estrutural das cortes de contas”, a AMPCON tem plena legitimidade para expressar sua opinião quanto às mudanças que entende necessárias ao aprimoramento do funcionamento dos Tribunais de Contas, e se o faz é porque tem compromisso com a instituição. A casa do povo, ademais, em tempos de democracia, parece ser o foro correto para discussões desta natureza;

A defesa dos procuradores de contas é atividade incessante da AMPCON e o motivo de sua existência. Neste contexto é que a Associação se credencia a propor melhorias reais na conformação dos Tribunais de Contas, órgãos hoje nem sempre sintonizados com as demandas da sociedade, o que repercutirá sem dúvida na eficácia dos trabalhos desenvolvidos pelo Ministério Público de Contas, seus procuradores e pelos próprios conselheiros. 

Ao analisar o chamado quinto constitucional, a AMPCON sustentava a importância do fim das nomeações pelos chefes do Poder Executivo, e a necessidade da adoção do princípio democrático nessas escolhas, com a eleição entre os pares, proposta contemplada no anteprojeto levado à Câmara dos Deputados. Tal luta é empreendida há anos por todos os ramos do Ministério Público brasileiro, sem a tortuosa e mal-intencionada conotação pretendida pelo conselheiro Antônio Joaquim. 

A afirmação de que a AMPCON tenha desrespeitado conselheiros substitutos não se sustenta minimamente, uma vez que, na proposta de emenda constitucional defendida perante a Frente Parlamentar, o número de conselheiros substitutos a atuarem no plenário do tribunal de contas é aumentado de 1 para 4, criando verdadeira “justiça de contas”, cujo ingresso dar-se-á no cargo de conselheiro substituto. Se desrespeito tem havido em relação aos referidos agentes públicos, certamente pode dele falar com conhecimento de causa o conselheiro Antônio Joaquim.

Fator de escandalização de qualquer observador um pouco mais atento deveria ser o exagerado nível de influência política existente dentro dos Tribunais de Contas, que tem comprometido o bom funcionamento desses órgãos fundamentais ao combate à corrupção;

Os procuradores de contas que galgaram o cargo de conselheiro são hoje os melhores interlocutores da AMPCON, e têm revelado em regra plena vocação para a causa pública, não obstante integrem os minguados 20% da composição técnica dos Tribunais de Contas brasileiros;

A AMPCON, ao contrário de enxergar a pueril divisão das Cortes de Contas entre “mocinhos e bandidos”, tese suscitada pelo conselheiro Antônio Joaquim, tem buscado interlocutores dispostos a discutir, em alto nível, o aprimoramento dos Tribunais de Contas, estejam eles dentro ou fora do Estado, entre cidadãos, servidores públicos, conselheiros, conselheiros substitutos, procuradores; nas universidades, entidades organizadas, ou no parlamento brasileiro;

Algo poderia ser dito sobre o comportamento inconsequente por mais de uma vez demonstrado pelo conselheiro Antônio Joaquim no trato com autoridades públicas, inclusive algumas cuja atuação poderá ser determinante para o futuro dos Tribunais de Contas brasileiros. Também sobre os indizíveis adjetivos utilizados ao mencionar membros do Ministério Público de Contas e ao atacar o trabalho da AMPCON no evento retro mencionado. A reprodução destes em nada contribuiria contudo com a discussão útil que pode melhorar as Cortes de Contas brasileiras.

A propósito do tema da urbanidade das relações e da cortesia com que estas devem se processar, a AMPCON nutre esperanças sinceras de que ultrapassado o período eleitoral em curso na sua congênere e irmã associativa, logre a ATRICON alçar novamente representante digno das nobres incumbências que a presidência dessa importante Associação impõe, capazes de construir pontes de diálogo e de aprimoramento do controle externo brasileiro, para o quê elementos como o destempero verbal, a grosseria, a falta de urbanidade, a arrogância e o desrespeito em nada contribuem.

Brasília-DF, 19 de setembro de 2013.

A DIRETORIA


Fonte: AMPCON